segunda-feira, 24 de setembro de 2007

A EDUCAÇÃO E O MEDO

O medo inibe, impede o raciocínio, fazendo do ser humano mero instrumento (meio), contrariando a máxima de Kant, na qual diz que "o homem é um fim em si mesmo".

O medo, fazendo do homem mero instrumento, obriga-o a renunciar (inconscientemte muitas vezes), a vontade de mudança e o amor que habita o coração. Sendo assim, o humano, que por essência é uma águia, transforma-se em "galinha" de fácil manipulação.

Um povo que toma consciência de seus direitos e deveres perde o medo e luta por melhorias na sociedade e, consequentemente, passa a exercer a cidadania, na qual se inclui, a solidariedade e o desenvolvimento igualitário para todos, contrariando o atual regime capitalista existente que somente beneficia uma minoria privilegiada que detém o poder político e econômico.

Precisamos é de investimento na EDUCAÇÃO, pois assim, o povo brasileiro irá QUESTIONAR o que está indevido e ter participação nas tomadas de decisões junto ao governo. Investir na EDUCAÇÃO é investir contra o MEDO.

Rafael de Almeida, do Programa "Boicote Popular" - Difusora FM - 105,7 - todo domingo das 19 às 22 horas.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Andar desconfiado

Quando ando de costas, vejo os lados aparecendo. Quando ando de frente, vejo os lados sumindo. Semelhança é que sempre posso ver um ponto fixo no horizonte. Andando de costas, o horizonte se distancia, de frente, me atrai. Pode-se achar estranho e incompleto tal raciocínio ou, talvez, dispensável e inútil. Que não tem significado algum.

Não vou me queixar. Ficarei atento às críticas. Posso timidamente responder: “Porque tão inútil o pensamento do meu andar? Então, como classificaremos o pensamento que se constrói para a exploração do homem pelo homem, através do atual sistema econômico norteado pelo capital?”

Ficarei aqui. Emburrado. Não pedirei esmolas para o mundo, ao contrário, esmolarei vontade à minha terra andando de costas e de frente e sempre tendo um ponto fixo para não se perder.

Quero saborear a vida, através de choros e risos, lutas e descansos para leitura. Andar até a esquina do quarteirão descalço. Colocar um nariz de palhaço e protestar com faixas na praça da cidade e depois, fazer a barba sentado numa cabine de caminhão beirando um rio e presenciar um carro velozmente mergulhando neste.

Temos que fazer a nossa história, pois somos seres pensantes que fazem história. A rosa, seja aquela inacabada de brotar ou na fase de putrefação, é fonte de inspiração dos poetas que fazem dela história numa poesia. O homem transforma os fatos em história, não é mero ser biológico que se reproduz. Não é como uma rosa que nasce e morre e, de seu jardim, nascem outras tantas parecidas. As rosas vão ser sempre as mesmas rosas, salvo mudanças genéticas. O homem é único, portanto, faz história. Mas que história de luta pelas melhorias deixaremos estampado na memória da terra? Quais os exemplos deixaremos para o sangue futuro?

Na verdade, esqueçamos de tudo, esqueçamos das leis, esqueçamos do Estado... Lembremos apenas de que temos o direito de viver dignamente aqui na terra, com saúde e educação de qualidades. Só peço a permissão de me deixarem sempre recordar do meu andar desconfiado, que deixa os lados aparecerem e sumirem, e que meu ponto fixo é um “hobby bobo”: a luta por um Brasil mais justo!

Rafael de Almeida, do Programa "Boicote Popular", todo domingo, das 19 as 22 horas, na Difusora FM - 105,7.