Quando ando de costas, vejo os lados aparecendo. Quando ando de frente, vejo os lados sumindo. Semelhança é que sempre posso ver um ponto fixo no horizonte. Andando de costas, o horizonte se distancia, de frente, me atrai. Pode-se achar estranho e incompleto tal raciocínio ou, talvez, dispensável e inútil. Que não tem significado algum.
Não vou me queixar. Ficarei atento às críticas. Posso timidamente responder: “Porque tão inútil o pensamento do meu andar? Então, como classificaremos o pensamento que se constrói para a exploração do homem pelo homem, através do atual sistema econômico norteado pelo capital?”
Ficarei aqui. Emburrado. Não pedirei esmolas para o mundo, ao contrário, esmolarei vontade à minha terra andando de costas e de frente e sempre tendo um ponto fixo para não se perder.
Quero saborear a vida, através de choros e risos, lutas e descansos para leitura. Andar até a esquina do quarteirão descalço. Colocar um nariz de palhaço e protestar com faixas na praça da cidade e depois, fazer a barba sentado numa cabine de caminhão beirando um rio e presenciar um carro velozmente mergulhando neste.
Temos que fazer a nossa história, pois somos seres pensantes que fazem história. A rosa, seja aquela inacabada de brotar ou na fase de putrefação, é fonte de inspiração dos poetas que fazem dela história numa poesia. O homem transforma os fatos em história, não é mero ser biológico que se reproduz. Não é como uma rosa que nasce e morre e, de seu jardim, nascem outras tantas parecidas. As rosas vão ser sempre as mesmas rosas, salvo mudanças genéticas. O homem é único, portanto, faz história. Mas que história de luta pelas melhorias deixaremos estampado na memória da terra? Quais os exemplos deixaremos para o sangue futuro?
Na verdade, esqueçamos de tudo, esqueçamos das leis, esqueçamos do Estado... Lembremos apenas de que temos o direito de viver dignamente aqui na terra, com saúde e educação de qualidades. Só peço a permissão de me deixarem sempre recordar do meu andar desconfiado, que deixa os lados aparecerem e sumirem, e que meu ponto fixo é um “hobby bobo”: a luta por um Brasil mais justo!
Rafael de Almeida, do Programa "Boicote Popular", todo domingo, das 19 as 22 horas, na Difusora FM - 105,7.
Um comentário:
A luta por melhorias é perpétua!
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